
No último fim de semana, no estádio Olímpico Pascual Guerrero, em Cali, na Colômbia, o Corinthians derrotou o Palmeiras pelo placar de 1 a 0 e conquistou o quarto título da Libertadores Feminina em sua história. A equipe alvinegra, com uma jogadora a menos desde os 20 minutos do segundo tempo, suportou a pressão das alviverdes e segurou o resultado positivo. A partida também marcou a despedida de Arthur Elias do Corinthians, já que o técnico, a partir de agora, assumirá em tempo integral a seleção brasileira.
O título conquistado no fim de semana coroa um projeto sólido do time feminino do Corinthians. Durante a era Arthur Elias a equipe conquistou 16 títulos e marcou 998 gols. Além disso, a equipe alvinegra contribuiu no salto que o futebol feminino registrou no país, o que também ajuda a explicar a dominância brasileira na categoria na América do Sul.
Segundo especialistas, outro fator que ajuda a entender a hegemonia das equipes do Brasil na competição é o salto comercial visto nos últimos anos. Hoje, cada vez mais empresas se interessam pelo retorno que a modalidade pode oferecer. É o que afirma Fábio Wolff, membro do comitê organizador do Brasil Ladies Cup, torneio que ocorre ao final da temporada e tem sua terceira edição confirmada para 2023.
“O desenvolvimento da categoria está diretamente ligado ao apoio de grandes marcas, e vice-versa. É uma via de benefício mútuo. Nessa relação todos podem sair ganhando”, afirma Wolff, que também é especialista em marketing.
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Nesse contexto, o Palmeiras Feminino, com a boa temporada de 2023, atraiu a atenção do mercado, recebeu o apoio de novas marcas e pode terminar a temporada de 2023 com R$ 20 milhões em arrecadação somente com patrocínios.
A categoria, como um todo, está cada vez mais em evidência na mídia esportiva. Na Copa do Mundo de Futebol Feminina de 2023, por exemplo, recordes de público nos estádios foram quebrados e a audiência dos veículos credenciados para transmissão superou a expectativa. Na estreia da seleção brasileira na competição, a Cazé TV bateu o recorde de uma transmissão de jogo feminino ao registrar mais de um milhão de pessoas simultâneas.
A presença do streaming está sendo fundamental no engajamento da modalidade, principalmente por parte do público feminino. Segundo estudo divulgado pela Sport Track, o consumo de esporte por meio de plataformas de streaming entre as mulheres aumentou 22% em 2022. Além disso, 39% do grupo afirma ter assinado alguma opção de streaming somente para acompanhar esportes no ano passado.
Armênio Neto, especialista em negócios do esporte e sócio-fundador da Let’s Goal, diz que a categoria já se mostra uma realidade no país. “Com esses números de audiência e de arrecadação crescentes fica muito clara a importância que o futebol feminino vem adquirindo. É uma verdadeira plataforma para as companhias comunicarem com os seus públicos”, afirma o especialista.
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