Todo mundo desenhado: tecnologia modifica fotos reais; aprenda a montar


Nos últimos dias, as redes sociais foram invadidas por uma febre de desenhos do tipo “anime”, produzidos digitalmente por Inteligência Artificial (IA) a partir de fotografias reais. São ilustrações baseadas no Studio Ghibli, estúdio de animação japonês que usa em suas obras traços originalmente produzidos à mão (veja na infografia). A moda rapidamente ganhou postagens mundo afora, principalmente de brasileiros.

A viralização gerou gravuras inspiradoras, como uma foto do piloto Ayrton Senna em adaptação Ghibli, mas também uma grande quantidade de brincadeiras, como a reprodução, no mesmo estilo japonês, do meme da “Nazaré confusa” – da personagem Nazaré Tedesco, interpretada por Renata Sorrah na novela “Senhora do Destino”, em 2004, na TV Globo –, além de ilustrações perturbadoras, como os ataques às Torres Gêmeas, em 11 de setembro, nos Estados Unidos.

A possibilidade de transformar fotografias reais em desenho não é nem de longe nova. A hashtag #GhibliAesthetic (“estética Ghibli”, em tradução livre), por exemplo, acumula milhões de visualizações e é utilizada como inspiração em publicações que tratam de tendências de design de interiores, moda e arquitetura. O que deu força ao desenho “pintado à mão” foi a possibilidade de ser executado ligeiramente por plataformas de IA, como o ChatGPT, ferramenta mais conhecida e que lançou seu modelo de criação de imagens próprio e mais moderno no fim do mês passado, o que permitiu a geração de fotos mais realistas e desenhos mais fiéis ao estilo japonês.

A repercussão foi imensa, e, com ela, o ChatGPT ganhou 1 milhão de novos usuários em uma hora após a atualização, quebrando recordes internos. A OpenAI, empresa criadora do ChatGPT, informou que o tráfego intenso sobrecarregou os servidores. Assim, usuários gratuitos precisaram esperar minutos ou horas para gerar uma foto. A situação foi normalizada, segundo a empresa, em 1º de abril, para todos.

Estilo japonês. Ghibli é um estúdio de animação japonês criado em 1985 por Hayao Miyazaki, Isao Takahata e Toshio Suzuki. É conhecido pelos traços leves, com cores suaves, em que personagens são expostos em ambientes mágicos. O estilo ficou conhecido por ter sido usado em filmes como “A Viagem de Chihiro” (2001), “Princesa Mononoke” (1997) e “Meu Amigo Totoro” (1988).

Tecnologia IA x direito autoral. A criação de desenhos baseados em estilos próprios, como o do Studio Ghibli, não é inofensiva como pode parecer. Pelo menos é o que acredita um grupo de 400 artistas, composto por nomes como a atriz Cate Blanchett e o ex-Beatle Paul McCartney. Eles assinaram uma carta, no mês passado, pedindo que a inteligência artificial respeite os direitos autorais.

Já Hayao Miyazaki, um dos criadores do estúdio japonês, falou sobre o tema em 2016. “Estou completamente enojado. Se você realmente quer fazer coisas assustadoras, pode ir em frente. Eu nunca desejaria incorporar essa tecnologia ao meu trabalho. Sinto fortemente que isso é um insulto à própria vida”.


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